Câncer de Pulmão

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Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de pulmão é o mais comum de todos os tumores malignos, apresentando aumento de 2% por ano na sua incidência mundial. Em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. No Brasil, foi responsável por 20.622 mortes em 2008, sendo o tipo que mais fez vítimas. Altamente letal, a sobrevida média cumulativa total em cinco anos varia entre 13 e 21% em países desenvolvidos e entre 7 e 10% nos países em desenvolvimento. No fim do século XX, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis.
Evidências na literatura mostram que pessoas que têm câncer de pulmão apresentam risco aumentado para o aparecimento de outros cânceres de pulmão e que irmãos, irmãs e filhos de pessoas que tiveram câncer de pulmão apresentam risco levemente aumentado para o desenvolvimento desse câncer. Entretanto, é difícil estabelecer o quanto desse maior risco decorre de fatores hereditários e o quanto é por conta do hábito de fumar.
Estimativas de novos casos: 27.320, sendo 17.210 homens e 10.110, mulheres (2012);
Número de mortes: 21.867, sendo 13.677 homens e 8.190 mulheres (2010);

Principais fatores de risco

Como dito anteriormente, na grande maioria dos casos está relacionado ao tabagismo. Porém, pode ocorrer em não fumantes numa pequena parcela dos pacientes.

Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver o câncer de pulmão. Além disso, outros fatores podem aumentar este risco:

  • Exposição ao cigarro de outros fumantes – chamado de tabagismo passivo
  • Exposição ao asbesto (amianto)
  • História familiar de câncer de pulmão

Prevenção

Uma vez que o consumo de derivados do tabaco está na origem de 90% dos casos, independentemente do tipo, não fumar é o primeiro cuidado para prevenir a doença. A ação permite a redução do número de casos (incidência) e de mortalidade. Comparados com os não fumantes, os tabagistas têm cerca de 20 a 30 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão. Em geral, as taxas de incidência em um determinado país refletem seu consumo de cigarros.
Manter alto consumo de frutas e verduras é recomendado. Deve-se evitar, ainda, a exposição a certos agentes químicos (como o arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila, gás de mostarda e éter de clorometil), encontrados principalmente no ambiente ocupacional.
Exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, deficiência e excesso de vitamina A, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos (que predispõem à ação carcinogênica de compostos inorgânicos de asbesto e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos) e história familiar de câncer de pulmão favorecem ao desenvolvimento desse tipo de câncer.

Quais os sintomas?

Nas fases iniciais, não existem sintomas para o câncer do pulmão. Com o avanço da doença, os pacientes podem queixar-se de:

  • Tosse recente que não diminui
  • Mudança no padrão da tosse
  • Tosse com sangue
  • Falta de ar
  • Rouquidão
  • Dor no tórax
  • Perda de peso

Como é feito o diagnóstico?

O pneumologista e o cirurgiãao torácico irão atuar em conjunto para diagnosticar o câncer do pulmão, bem como para determinar o estadiamento da doença (Verificação de quão avançada está a doença). Os testes recomendados para diagnosticar ou avaliar o câncer do pulmão incluem:

  • Radiografia do Tórax. Em geral, esse é o primeiro exame para avaliar o sistema respiratório ou a caixa torácica. Entretanto, pode ser normal ou inconclusivo em casos suspeitos de câncer do pulmão. Por isso, pacientes sob risco elevado deverão repetir ou complementar os resultados da radiografia com outros exames.
  • Tomografia computadorizada. A possibilidade do diagnóstico com a tomografia é maior do que com a radiografia do tórax, pois adiciona informações que auxiliam o médico a decidir o próximo passo, seja este o acompanhamento ou a realização de outros exames importantes para a análise e ou coleta de biópsias.
  • Punção transtorácica. Existem casos em que o médico pode colher biópsias com uma agulha inserida através da pele e conduzida até a lesão pulmonar guiada pela imagem radiológica, para complementar a investigação diagnóstica.
  • Broncoscopia. A broncoscopia, também chamada endoscopia respiratória, é indicada nos casos em que é preciso a avaliação da parte interna do pulmão. Às vezes, o câncer do pulmão é visível à endoscopia, podendo ser realizada a biópsia para a definição do diagnóstico. Porém, em muitos casos a broncoscopia também é indicada para identificar infecções ou problemas inflamatórios. Em casos de obstrução do pulmão pelo tumor, a broncoscopia também pode ser utilizada como tratamento.
  • Biópsia pulmonar cirúrgica. Em casos, em que não houve definição, mesmo com todos os exames prévios, pode ser necessária a remoção ou biópsia mais extensa, mas isso também pode ser feito com métodos minimamente invasivos (sem abertura da caixa torácica).
  • Mediastinoscopia. O mediastino é o espaço do tórax entre os dois pulmões e o coração. Nesta localização existem gânglios linfáticos – ao que chamamos também de linfonodos – por onde o câncer pode caminhar. Além disso, certos tumores aparecem mais evidentes ou mais frequentemente nessa região. Este procedimento de biópsia é feito no centro cirúrgico por um pequeno corte no pescoço, sob anestesia geral, mas com a possibilidade de alta no mesmo dia ou dia seguinte após a cirurgia.
  • PET-Oncológico. Este é um tipo especial de tomografia, que ajuda a definir a atividade da lesão pulmonar. A base desse exame é a avidez dos tumores pela glicose. No PET, as lesões mais suspeitas aparecem de forma mais intensa, porém se o resultado for positivo isso não é sinônimo de câncer e deve ser SEMPRE interpretado pelo médico.

Após confirmação do diagnóstico de câncer se procedem os exames de estadiamento, que vão avaliar se o tumor fez metástases (se espalhou) para outros orgãos. Os principais exames solicitados são:

  • Cintilografia óssea:  Avalia se há metástase para os ossos.
  • Tomografia computadorizada de crânio: Avalia se há metástases para o cérebro.
  • Tomografia computadorizada do abdômen: Avalia se há metástases para o abdômen

Quais os tipos de câncer de pulmão?

Existem diferentes tipos de câncer que podem acometer os pulmões, porém quase sempre o câncer de pulmão é um carcinoma e podemos dividi-los em dois grandes grupos:
Carcinoma de células não pequenas (em inglês “No Small Cell Lung Câncer – NSCLC”)

1. O câncer de pulmão de células não-pequenas

Trata-se do tipo de tumor de pulmão mais comum (80% dos casos). Existem três subtipos principais:

Adenocarcinoma

Carcinoma de Células Escamosas (carcinoma epidermóide)

Carcinoma de Grandes Células

2. Carcinoma de pequenas células (em inglês “Small Cell Lung Carcinoma – SCLC”)

Representa cerca de 20% dos casos de câncer de pulmão, pode crescer rapidamente e geralmente mais agressivo.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento pode envolver a cirurgia, a quimioterapia e/ou a radioterapia. Vai depender do estadiamento da doença, ou seja, se o câncer estiver localizado apenas no pulmão ou se já tiver alcançado os linfonodos (gânglios linfáticos) e as estruturas adjacentes (coração, artéria aorta, coluna vertebral, pleura etc.) ou órgãos distantes (metástases). Dependendo dos achados e da condição clínica do paciente, o tratamento pode envolver uma ou várias das modalidades citadas.

Tratamento cirúrgico

Atualmente, a cirurgia pode ser realizada de duas formas: a VATS – Video Assisted Thoracic Surgery – (cirurgia com vídeo) ou a cirurgia convencional.

Os cirurgiões e radiologistas regularmente utilizam técnicas minimamente invasivas para punção ou remoção de tumores pulmonares, tanto para a obtenção quanto para a confirmação do diagnóstico. Os linfonodos do mediastino (próximos ao coração) podem também ser submetidos à biópsia para o correto estadiamento do câncer de pulmão com a mesma técnica.

Quando o câncer é confirmado, poderão ser indicados os seguintes procedimentos:

  • Ressecção “em cunha”: remoção do tumor e do tecido pulmonar ao redor dele
  • Segmentectomia: remoção do tumor e das estruturas anatômicas próximas (vasos e brônquios), para um controle oncológico mais rigoroso, o que deve ser suficiente para tumores bem pequenos e na periferia do pulmão.
  • Lobectomia: remoção do lobo pulmonar que contem o tumor. Esta é a cirurgia padrão para a maioria dos casos de câncer de pulmão.
  • Pneumonectomia: retirada de todo um pulmão, indicada nos casos de doença avançada, mas com boa reserva respiratória.

Em muitos casos, a cirurgia vídeoassistida permite a alta hospitalar bastante rápida – em dois ou quatro dias – um tempo menor do que o praticado na cirurgia convencional, que é de quatro a seis dias.

Tratamento não cirúrgico

O tratamento não cirúrgico é aplicával para aqueles pacientes diagnosticados com doença mais avançada em complemento ao tratamento cirúrgico. Entretanto, em determinados casos, a cirurgia não é possível pois a doença já comprometeu áreas do corpo que não podem ser retiradas; tais como o coração, o fígado, a coluna vertebral ou o cérebro.

Quimioterapia

A quimioterapia é baseada na administração de medicações pela veia (endovenosas) ou por via oral, que tem por objetivo destruir ou bloquear o crescimento anormal das células cancerosas.

Radioterapia

A radioterapia aplica energia, em forma de radiação, para auxiliar o controle local da doença. Existem diferentes formas de aplicação da radioterapia, que vão depender do tipo de tumor e da sua localização.

Tratamento paliativo de suporte

“Curar algumas vezes, aliviar o sofrimento sempre que possível, confortar sempre”. Seguindo tais princípios, o tratamento paliativo de suporte visa principalmente ao conforto dos pacientes acometidos de doença altamente avançada. Nesses casos, a cura não é mais possível; contudo, o sofrimento pode ser aliviado por meio de pequenos procedimentos ou de medicações para o controle dos sintomas.

 FONTES: Hospital Albert Einstein, INCA, Hospital de Câncer de Barretos